Lá no fundo do meu ser

Sinto como se estivesse me arrastando silenciosamente. Lutando contra coisas que parecem pequenas mas que tiram a graça da maioria das coisas. Ou apenas escolhendo ignora-las, como uma dor que você insiste em dizer que é temporária, mas que de verdade nunca passa. Vai e volta. Sentindo suas emoções como em uma montanha russa que desce e sobe todos os momentos, tirando e dando ao mesmo tempo. Mais um dia ruim, um momento ruim ou uma fase ruim. Já nem sei nomear mais. Não há com quem falar porque já sei o que vou ouvir " Essa fase vai passar". Acontece que já venho escutando isso há muito tempo. Quando parece que as coisas vão melhorar de verdade, e algo acontece e joga pro mesmo ponto que você estava ou até mais embaixo. Estou presa em um tipo de dor emocional que não se cura, não passa. Não dá pra explicar isso pra ninguém. Não dá pra fazer com que entendam o que sinto ao respirar. Mas ai repetem que você tem que continuar, é assim que é. 



Então coloca aquela máscara social que você já está se acostumando a usar e em alguns dias sorri dizendo que está tudo bem e finge uma felicidade que por alguns momentos até você acredita. Continuar tentando, continuar ignorando, continuar fingindo, acreditando e sendo decepcionada. É isso que tem que se fazer, é isso que todo mundo faz. E se eu não faço, então quem sou eu? Uma estranha com sérios problemas. Os problemas acumulam, a raiva se instala, a preguiça te pega e nada do que costumava te fazer rir faz efeito. Você olha seus contatos e não vê ninguém com quem possa conversar. Aquela sua amiga está ocupada demais e ficando cada vez mais longe. Aquele carinha que você achava que gostava de ti, te abandona como se não fosse nada demais. Não dá pra sair contando seus problemas para as pessoas. Ninguém quer escutar as dores de ninguém. Só começa a ficar ainda mais difícil a cada dia. Caindo fundo, escolhendo apenas ignorar convites e inventar desculpas esfarrapadas para não sair de onde está. Soa depressivo demais. Ninguém quer conversar com alguém assim. Ninguém quer ajudar alguém assim. As coisas estão perdendo importância, as esperanças estão se esvaindo e ficando dolorosas de se imaginar. Estou em um tipo de círculo vicioso, essa sensação só vem e volta. Deixar escorrer as lágrimas, deitar-se no escuro e olhar pra algum ponto que você nem sabe qual é. 

Respirar fundo quase em câmera lenta e pedir alívio pra essa dor silenciosamente.  Continuo recuando, construindo barreiras. E se for eu que estou destruindo tudo? Como faço as coisas pararem de desmoronar? Uma parte de mim quer fazer as coisas direito, quer dizer de verdade que está tudo bem e que não se abala facilmente. Ai uma falsa onda de alegria aparece e você tenta camuflar o vazio por apenas alguns momentos. Mas ela passa, e o vazio parece aumentar. Não funciona de qualquer maneira. Um imenso abismo te separa de tudo. Já não há esperanças de que venha a pessoa certa. Já não há esperanças de que existe alguém por ai capaz de lidar com isso. 

O ringue está intenso. Lutar contra isso não é fácil sem se ferir, mas outro fracasso não é uma opção. Minha zona de conforto parece a opção mais adequada enquanto isso te afasta cada vez mais. Ninguém faz nenhuma pergunta, não sentem sua falta mas também não sabem perguntar sem te julgar. E ai percebe-se que não dá pra continuar desse jeito. Promete um novo ânimo para amanhã que nem sabe se vai ter e recomeça tudo de novo. E tudo se repete. Dizem que é assim que se vive. Só resta duas opções: Continuar vivendo assim e repetindo que vai passar ou desistir por não aguentar mais. E posso dizer, que já considerei as duas em vários momentos. Mas agora, só me resta uma.

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