Texto: Idealizando você

 


Talvez a culpa seja toda minha. Eu vivo idealizando você. E você nunca corresponde ao que eu idealizo. E não é sua culpa. É minha. Talvez eu só esteja relutando a dura verdade. Não somos certos um pro outro. E eu queria fazer ser.  Eu tentei muito. Até quebrei certas promessas que fiz porque disse que não faria certas coisas de novo por ninguém. E lá fui eu, fazer por você. Me humilhar. Pedir por favor. Te fazer me ouvir. Pra ganhar o que? Desprezo. Ameaças de que você iria me bloquear. Todas as palavras que você falou foram levadas com o vento. Promessas quebradas. A verdade é que eu não confio plenamente em você.  Eu te dou meu amor, mas quando as coisas não saem como você quer , você se transforma em alguém que eu não conheço. Alguém que não se importa se tá me machucando, por mais que eu já tenha dito mil vezes que me machuca.


Então eu me pergunto pela milésima vez: Isso é amor? Ou você diz que me ama e me mantém a você porque é assim mais fácil? Ou por que você simplesmente percebeu que é fácil me manipular? Afinal, eu contei tudo pra você. Absolutamente tudo. Tudo que fizeram comigo. O quanto me machucaram. Você tem tudo nas mãos, e eu te dei o poder de fazer o que quiser com isso. E você escolheu. Escolheu me magoar quando as coisas não saem como você quer.


É isso que eu mereço? É com isso que eu devo me contentar. Durante mais de 365 dias eu esperei. Eu confiei. Eu acreditei. E eu sim, te amei. E por breves momentos, achei que você poderia perceber o que faz de errado e evoluir. Mas , eu estava me enganando e querendo convencer a quem? Talvez a mim mesma de que valia a pena continuar. Mas, quanto mais tapas você me dá, mais eu me pergunto porque mereço ser tratada assim.


O maior medo da minha vida é ter um relacionamento que nem os dos meus pais. A primeira vez que eu fui na psicóloga eu disse aos prantos pra ela que não queria alguém como meu pai como marido. Como namorado. E parece que eu to sempre escolhendo involuntariamente os mesmos padrões. 


Parece que isso me alcança, por mais que eu tente fugir disso. Não importa o quanto eu queira que mude. Ninguém muda por ninguém. Você não vai mudar por mim. Mas o respeito. Ele tem que haver. E você me desrespeita. Em muitos momentos. Quando não quero fazer algo que você quer. Quando não reajo da maneira que você espera que eu reaja. Você quer controlar tudo. Dominar tudo. Só que a vida não é assim. Não dá pra domina-la por inteiro. A vida, e principalmente as pessoas não são como a gente quer. 


E eu ...com lágrimas nos olhos digo, que eu talvez não seja o que você quer. Talvez eu só tenha perdido tempo tentando encontrar em você algo que não existe. Tentando fazer de você uma salvação porque eu estou perdida. Na adolescência, eu sempre estava a espera de alguém que me salvasse e me tirasse daqui.


E eu acho que eu ainda espero. Porque você me deu esperança pra isso. E eu, boba, acreditei.  Você nunca quis me ver. Nunca quis estar comigo porque de longe, você tinha tudo e mais um pouco, e pessoalmente, as coisas são mais difíceis e você sabe disso.


Então, acho que nosso relacionamento chegou ao inevitável fim. Mesmo que eu ainda esteja relutante. Mesmo que eu queira ficar mesmo que você não mereça. Porque você não merece. Não merece metade do que eu sou. Não merece o amor que eu te dou. Talvez esteja na hora de deixar você ir e parar de fazer os outros de salvação. 


Talvez eu que deva me salvar. Como sempre foi na minha vida. Eu sempre me segurei sozinha. Eu sempre chorei sozinha. Sempre enxuguei minhas lágrimas e foi besteira pensar que eu tinha encontrado alguém que pudesse segurar minha mão. Ou eu me salvo ou eu caio de vez. E dessa vez eu não levanto mais. Porque a vida já levou muitas partes de mim, as pessoas levaram mais algumas e eu já não sei quanto mais sobrou ou se ainda sobrou alguma coisa.


No pouco de dignidade e amor próprio que nem sei se tenho, não posso permitir que isso continue assim. Que você me trate assim. Então, acho mesmo que devo te deixar ir. Você nunca quis. Não de verdade. Era mais como uma fantasia. Só eu que não vi. 


M.F.A

Série: Turismo Selvagem ( queridinha)

 


Série: Turismo Selvagem
Título Original: Wilderness
Gênero: Drama, Suspense
Temporadas : 1 ( completa minisérie)
Lançamento: Setembro de 2023
Nota: 5 de 5
Onde assistir? Prime Video

Sabe aquelas séries que te pegam de surpresa? Turismo Selvagem com certeza foi uma dessas surpresas. Uma série incrível, com temas importantes, atuações muito boas e reviravoltas surpreendentes. Talvez, você, mulher se identifique muito mais com essa série do que qualquer outra pessoa, principalmente se você já passou por um sentimento terrível: traição. Pois é, Turismo Selvagem pode parecer simples,  um cara traindo a esposa, a gente vê isso toda hora né? Mas, a série é esperta e desenvolve isso de uma forma muito interessante com as nuances de sentimentos de Liv que tem uma atuação maravilhosa.








Eu, simplesmente não conseguia parar de assistir. Um episódio atrás do outro que tem cerca de 40 minutos. Turismo Selvagem mostra a vida do casal Liv e Will, que se mudam para Nova York por conta do trabalho dele, sendo assim Liv deixou tudo pra trás pra apoiar o marido e seu trabalho. E eles parecem bem, o casal perfeito. Até que Liv encontra uma mensagem no celular de Will. E as coisas começam a se complicar. Will tem uma amante, e a mulher é do trabalho dele. Liv, vai descobrindo mais coisas enquanto avança os episódios, e apesar de ter as reações esperadas para os fatos ela também guarda o momento certo para confrontar seu marido. Liv, se vê presa em um casamento como dos seus pais, já que o pai dela traiu a mãe e os dois se divorciaram. E Will, prometeu que não seria como ele. 

Então, Will na tentativa de recuperar seu casamento, oferece uma viagem para o casal. Uma viagem só os dois que Liv sempre quis fazer para que eles pudessem se reconectar. Só, que acaba que a viagem vai ser muito mais reveladora do que ele pensava. Já que eles acabam encontrando, Cara, a amante de Will. Liv, com seu sangue frio e sabendo de tudo observa os passo de Will e suas mentiras. Quando Cara desaparece, os dois se veem presos um ao outro para que Will não seja descoberto.

Liv, então vê a oportunidade perfeita para fazer Will se arrepender e aprender. Mas, quem matou a Cara? E nessa história toda, temos uma série incrível desde o primeiro episódio. Turismo Selvagem é uma daquelas séries que quando você acha que já viu de tudo, aparecem mais coisas. E depois que Cara morre, Liv continua descobrindo mais infidelidades do Will. E o mais incrível, é ver a cara de pau dele. Ele jurou que tinha sido uma noite com a Cara, mas saia com ela há meses e prometia a ela largar a Liv.

Mas, quando Liv cansou e quis separar Will se desesperou . Afinal, Liv era um troféu pra ele e sua família. Era impressionante como ele mentia e como ele ficava desesperado quando era descoberto, e só depois de descoberto implorava para ela ajuda-lo. Eu chorei em algumas cenas. Passei por um relacionamento, em que a pessoa em questão me traiu com várias pessoas, e me vi escutando as mesmas desculpas que a Liv, até receber vídeos ou fotos de outras como ela.

A série não fala só do tema mais comum do mundo: infidelidade. Ela fala, como o homem é privilegiado. Liv, largou tudo para apoia-lo e não foi valorizada. E a raiva, a frieza, a tristeza e a dor dela se transformam em indiferença já que ela percebe que ele só sabe mentir . Ela dá oportunidades para que Will se redimir. Mas, ele continua mentindo e ela descobrindo coisas. Aqui, vemos cruelmente como um homem mente e inventa os maiores detalhes para se livrar do ato. Bota a culpa em todos, até na própria esposa, menos nele próprio.

Então, Liv cansou e jogou o mesmo jogo que ele : mentiu o tempo inteiro. E na hora certa, fez sua jogada. Ela não ia ser a esposa traída pelo marido que transou com quase todas as colegas de trabalho. Não. Aqui, a série explora todos as fases que uma mulher passa depois de descobrir a traição. A tristeza. A dor. A raiva. O ódio. A vontade de se vingar. E a maior pergunta de todas: o que foi que eu fiz de errado?

Liz passa por várias nuances por conta de sua criação,  já que ela tem um relacionamento complicado com sua mãe que a vive criticando. Esses momentos também me pegaram. Saber que você se meteu em um relacionamento que era o que você mais temia deve ser arrasador.

Eu admiro muito a atuação da atriz que soube pegar todos esses sentimentos e transforma-los em algo frio e indiferente apesar de sabermos que ela o amava e queria que aquilo não fosse verdade.  Turismo Selvagem vai te impactar. De uma forma ou de outra. Vai te fazer refletir sobre os relacionamentos. Sobre casamento. Sobre largar tudo por alguém. Sobre família. Sobre confiar no outro e ter essa confiança quebrada. 

Facilmente se tornou uma série que eu cito como preferida. Termina de uma forma muito prazerosa pra mim, com um enredo fechadinho e completo contemplando a ironia de uma mulher que sofreu muito e foi manipulada por um homem que não conseguia aprender sobre fidelidade .
Simplesmente assistam. Esqueci de mencionar, a entrada da série tem a música da Taylor Swift " look what you made me do" que exemplifica e reforça bastante como Liv ficou presa a manipulação do marido e em seus próprios medos e fantasias.

Filme: Wallbanger ( Subindo pelas paredes ) da PassionFlix


Filme: Wallbanger
Título Provisório: Subindo pelas paredes
Duração: 1 hora e 30 apox
Lançamento: Abril de 2024
Gênero: Romance. Comédia Romântica
Nota: 2,8 de 5
Disponível na plataforma Passionflix e baseado no livro de mesmo nome da autora Alice Clayton

Mais uma vez que assisto outro filme da plataforma Passionflix visando uma expectativa maior que os outros já que a plataforma adapta livros porém com uma qualidade duvidosa e atuações bem fracas. Mas, isso é algo que já posso esperar quando assisto as adaptações da Passionflix, algumas são melhores que as outras mas não em um nível muito elevado. 

Caroline é uma designer de interiores solteira que se muda para um apartamento que parece bacana. No meio de encontros casuais , ela tem um problema: ela não consegue atingir o clímax . O que faz com que seus encontros sejam frustrantes. Porém , além disso ela se encontra em outra situação desgastante, seu vizinho de parede a incomoda toda noite com barulhos, gemidos e outros sons que a deixam curiosa e também incomodada. Ao confronta-lo, ela percebe que uma faísca pode sair dali e os dois acabam se envolvendo meio de uma tensão já que Caroline tem medo de não conseguir novamente algo satisfatório.

O filme é até que é interessante com o dilema de Caroline não consegui ser satisfeita da forma correta, uma coisa que não é muito discutida em sociedade normalmente pelo preconceito. Então, isso é ilustrado de forma inteligente com pensamentos ilustrados pela personagem de uma forma bacana e divertida. O filme não tem nada demais. A química do casal até que é interessante, porém o que era pra ser um romance erótico meio sedutor acaba ficando meio agua com açucar mesmo.

Me surpreende que a plataforma consiga encontrar atores bonitos porém pouco talentosos. Em certos momentos, é meio difícil assistir, mas como esse filme é mais leve, aqui não foi exigido tanto dos dois, o que eu considerei algo positivo já que eles meio que entregaram o que foi pedido e o que era básico da forma que podiam.

Wallbanger não vai mudar sua vida, nem te fazer ser seu filme favorito. Vai ter umas cenas de sedução, mas nada muito de tira o folego e uma química ok com uma história bem morna, e Caroline encontrando finalmente alguém que se preocupe em satisfaze-la. Vale até seu tempo, mas pode ser arrastado em alguns momentos principalmente em cena do trabalho dela.








Texto : É preciso dois


Ah Deus, desculpe. Não posso estar errada de novo. De novo, não. Eu juro que estou tentando e muito. Só que ele tá quase me fazendo desistir de tudo. Só que será que é preciso todo esse esforço pra alguém que diz te amar? Que diz querer escolher você todos os dias? Que diz que você é o amor da vida dele? Será que não é óbvio que quando o esforço vem só de uma das partes, simplesmente não funciona?


É preciso dois. Dois pra ceder. Dois pra lutar. Dois pra compreender. Dois pra conversar. Dois pra querer resolver. Dois pra continuar mesmo sendo difícil. E nesse momento, só tem um.

Já não sei mais como me comunicar. Eu falo e falo e até eu estou cansada de me ouvir. De falar o quanto você me magoa com as coisas que diz. De como você só quer as coisas do seu jeito e quando as consegue fica bem, mas quando não as consegue então já não funciona mais pra você. Me sinto um produto reutilizável. Que é só bom quando funciono do modo desejado e quando não é só descartar no lixo.


Diante desses relatos, a solução óbvia seria seguir minha vida e te deixar. Raciocinar e entender que eu fiz de você meu porto seguro pra nada. Que eu não tenho um porto seguro e nunca terei. Sempre serei eu por eu.  Eu fiz de você uma salvação. Um caminho pra me tirar do que me aterroriza. Eu fiz de você mais do que você fez por mim. E eu me contentei com isso mesmo jurando nunca mais me contentar. 


Não vou mentir pra mim mesma. Minha cabeça grita que eu devo te deixar. Grita que eu mereço mais e que ninguém deve me tratar assim. Mas , meu coração que sempre me atrapalhou quer tentar arrumar. Consertar. Falar de novo. Explicar de novo. Fazer você entender.


Mas eu to tão cansada disso. De me explicar. Eu não quero mais te fazer entender porque se você não entendeu até agora, não há nada que eu possa te dizer que vá fazer com que mude algo.


Eu não quero te deixar ir, mas você tá quase me fazendo ir. Só que depois que você for, eu não terei mais nada. Porque eu só tinha você. Eu só contava com você. Além de tudo você era minha constante no meio do caos da minha mente. Você era ancora nos dias conturbados. E eu morria de medo de você partir. Mas não posso aceitar qualquer coisa, e ser tratada de qualquer forma por medo.


Queria dizer que eu finalmente encontrei o amor da minha vida. Queria dizer que eu ia casar com você. Que eu ia ter uma relação tão boa que nós dois íamos evoluir como pessoa. Agora, nesse momento queria simplesmente dizer que não dá mais.


Só que não quero estar enganada. Não quero ter perdido tempo. Não quero ter sido enrolada por dias por alguém que não se importa verdadeiramente comigo. Eu queria tanto que você sentisse o que sinto. Você não sabe como dói. Como doeu todas as vezes que você me intimidou. Ou ameaçou me deixar. Ou não respeitou meu momento. 


É preciso dois pra um relacionamento funcionar. É preciso dois pra querer fazer dar certo. Só o sentimento não segura. Só o desejo não segura. Só a química não segura. É preciso dois. E no momento, só resta um. Estou sozinha. Não sei se quero continuar, mas já não estou só mesmo sem fazer isso?

Filme: MaXXXine

 


Filme: MaXXine
Lançamento: Julho de 2024
Duração: 1 hora e 44 minutos
Gênero: Terror
Nota: 2 de 5
Onde assistir? Prime Video

Maxxine é o último filme da trilogia do diretor Ti West. Depois de Pearl, e a Marca da Morte ( ambos resenhados aqui no blog), e ambos estrelados pela atriz Mia Goth temos o filme que tecnicamente encerra essa trilogia de filmes de terror. Começo dizendo que Pearl é o meu favorito e o melhor de todos na minha opinião. Vamos falar do enredo? Antes disso, você meio que precisa assistir A marca da morte pra se situar, antes de assistir esse por mais que Maxxine tenha sua própria história trata-se de uma continuação então você entenderá melhor se assistir antes.


Ambientado em 1980, e salientando a onda de serial killers assassinando garotas como exemplo o Perseguidor Noturno, aqui seguimos a atriz em ascensão Maxxine Min que foi sobrevivente a um trágico massacre em uma fazendo após uma gravação de filme adulto que deu errado. 

Decidida a seguir sua vida, e sair da categoria de filme adulto e se tornar famosa Maxxine está decidida a ser uma estrela. Tudo parece ir bem quando ela consegue o papel principal em uma continuação de filme de terror que fez bastante sucesso.  Mas, quando ela começa a ser perseguida por alguém e assombrada com os fatos do seu passado trágico , Maxxine precisa lutar por sua vida e enfrentar de uma vez por todas seu passado a fim de ser uma estrela de sucesso.


Aqui, temos, talvez o filme mais mediano dos 3 longas. Maxxine tem alguns elementos bons, mas fica morno diante do roteiro que não sabe onde quer chegar ou que se força a ressaltar alguns fatos que não vão ser usados. Eu gosto da personagem e de como ela se coloca, querendo uma vida melhor e enfrentando os preconceitos por vir de uma linha de filmes adultos. Aqui, Maxxine que foi a única sobrevivente do massacre na fazenda de Pearl, precisa enfrentar um mau que ela não esperava. 


E, ela de fato, enfrenta com toda coragem, mas o enredo não se segura. Todo o mistério de quem estaria atrás dela, ou o fato de quererem associar as mortes da garotas ao tal Perseguidor Noturno. Apesar de se sentir perseguida, Maxxine não se encolhe e quando a ameaça é finalmente revelada não há nenhuma tensão. E eu até tentei ficar empolgada, enxergar um ponto alto, mas não há. 


Talvez, se tivesse algo como algum sobrevivente do massacre, ou qualquer outra coisa, mas do jeito que o roteiro foi se desenvolvendo o filme não alcança seu potencial. Não chega a ser um filme ruim, mas fica longe de ser um daqueles filmes de terror que te assustam e bem mais longe daqueles que te causam tensão. É só um filme morno mesmo. É ok, digno de sessão da tarde com alguns pontinhos bons. Nada empolgante. Com certeza, o mais morno dos 3. Se você assistiu os 2 primeiros,  finalize com Maxxine mas não vá com muitas expectativas.


Texto: O corpo grita


Quando se silencia uma dor muito tempo, uma hora o corpo sinaliza. Ou melhor, o corpo grita. Berra. Não permite mais que você finja e engula o choro. Ele transborda. E tudo se descontrola. O aperto no peito. A dor no coração. O vazio que nunca vai embora. E passa para todo o corpo. Tudo que a ansiedade puder atacar, ela vai atacar. Tenha certeza disso. Eu tenho conversado comigo e repetido comandos pro meu cérebro de que está tudo bem. Ele faz parte de mim. Não devia estar contra. Não devia estar me colocando nessas situações. Ele devia me ajudar. Mas sinto como se minha cabeça estivesse em chamas. E eu não consigo controlar o fogo. Não dá. Me sinto sufocada. Sem ter pra onde ir. Sem ter o que fazer.


Eu me silenciei por muito tempo. E quando se silencia por muito tempo uma hora você se esgota. E ai, tudo transborda e não de uma forma bonita. As idas ao hospital achando que você vai morrer não são nada legais. Os olhares de julgamento não são legais iguais.  E os remédios? Menos ainda. Quando olho para minha cartela, ainda não acredito que estou dependente de remédios. Dependente de comprimidos pra dormir. Pra me sentir normal. Pro aperto no peito passar pelo menos naquele dia sem saber se no dia seguinte eu vou sentir algo de novo e ai tomar mais um comprimido. E o ciclo repetitivo nunca acaba. Isso nunca tem fim. Não tem cura. Não tem saída. 


Então, eu choro e choro. E choro mais. E as lágrimas que escorrem são uma esperança de aliviar a dor e o vazio que eu sinto dentro de mim. É, eu não preciso de ninguém pra me destruir. Eu já faço isso sozinha. Todas as pessoas que falaram algo de mim, ou viram como é fácil me machucar já fizeram isso por mim. Já estragaram partes que eu nem sei se vou recuperar. E estou colhendo tudo que me fizeram.

Eu me deixei afetar. Eu deixei que eles fizessem isso comigo. Eu acreditei nisso e agora minha mente não me deixa acreditar em outra coisa que não seja que nada do que eu faço é bom o suficiente. E queria muito acreditar que eu pudesse reprogramar minha mente pra algo totalmente diferente.


Meu corpo grita. Pede por socorro. Berra. Sangra. Dói. Só não sei quem realmente está ouvindo e quanto tempo mais eu aguento.



Topo