Série: Feliz Natal e tal
Monstros: A história de ED GEIN
Desde que a nova temporada de Monstros estreou na Netflix, ela tem dividido opiniões. Alguns gostaram, outros nem tanto. Não assisti a série dos Irmãos que lançou antes dessa, porque não me chamou atenção, mas eu já sabia algo do ED GEIN tem um tempo. Eu vou tentar aqui passar a concepção que eu tive pra vocês, do que realmente a série quis passar. Ed Gein talvez não tenha sido tão conhecido e explorado como Ted Bundy ou Dahmer, mas ele certamente inspirou alguns assassinos em série. Lembrando, que apesar de ter cometido crimes hediondos e horrendos, Ed não fazia o perfil de um assassino que matava em série. Na verdade , a maior parte do material encontrado em sua casa eram de pessoas recém falecidas, ele praticava necrofilia e fazia roupas, objetos e outras coisas com as peles delas. Enfim, se vocês quiserem saber mais detalhes é só dar um google que agora tem várias matérias sobre ele rolando.
Houve muitas discussões sobre a série, alguns alegaram que a série se perdia pois não foca somente nos crimes do Ed, como em Dahmer, mas também na influência dele para inspiração de personagens que acabaram se tornando clássicos de terror posteriormente e também assassinos reais. Eu conhecia pouco do Ed Gein, mas particularmente o achei mais complexo. Ed, era totalmente castrado pela mãe, que era uma mulher extremamente controladora, devota e excedia os limites de moralidade e respeito.
Aqui, a série alterna principalmente nos primeiros episódios fazendo um paralelo primeiramente com Psicose, já que o personagem Norman Bates foi baseado no Ed. Aqui, mostra que o diretor de Psicose, se aproveitou da história pra criar um personagem alterando alguns fatos. Psicose foi um sucesso, e a produtora do filme queria mais pois as pessoas começaram a simplesmente gostar do gênero slasher/ fatos reais. Sendo assim, uma questão se instalou o problema são os filmes produzidos em cima desses fatos ou as pessoas que consomem esses filmes? É uma ótima questão de reflexão.
Assisti uma entrevista do Charlie, que interpreta o Ed, e é incrível como ele incorpora o personagem. Ele mesmo questiona essas coisas, e de como o produtor quis deixar esse paralelo para mostrar a influência de certas atrocidades na sociedade e na indústria. Posteriormente, vemos relance de o massacre da serra eletrica e silencio dos inocentes * ambos personagens desses filmes também inspirados em Ed. E é por isso que a série foca tanto em paralelo com isso. Algumas pessoas acharam chato essa repetição de menção, mas aqui vemos que a história do Ed deu entrada pra um gênero de terror muito conhecido hoje em dia, e que as pessoas queriam mais disso.
De fato, muita coisa na série é ficção, assim como as outras temporadas nem tudo aqui é real. Algumas coisas, são colocados pra efeito de roteiro ou desenvolvimento, mas as atrocidades do Ed estão definitivamente presentes. Algumas cenas são dificeis de ver, principalmente aquelas ligas a necrofilia. É impressionante ver como uma mente funciona depois que ultrapassa certas barreiras. O Ed aqui não tinha noção dos seus crimes o que não o inocenta de nada.
Muitos podem entender isso como um tipo de redenção, querendo dizer que os produtores queriam justificar suas ações, mas eu penso diferente. Todos os seriais killers tem camadas profundas, e se formos a fundo alguns são mais perturbadores que outros. Compreender a mente deles vai muito além disso. Ele é culpado sim por suas ações, não é inocente, mas o contexto deve ser considerado.
Ed queria ficar próximo da mãe, já que tinha uma relação tóxica e extremamente inadequada com ela. E depois de sua morte, ele simplesmente não soube lidar com aquilo. Já existia algo ali, que a mãe dele reprimiu e ignorou. E depois, simplesmente foi extrapolado pelo Ed. O caso dele se diferencia, porque ele claramente tinha problemas mentais diferentemente de outros assassinos. Não era só psicopatia, era também a esquizofrenia em que ele ouvia a mãe e imaginava coisas não sabendo diferenciar do que era real.
Em alguns casos, como o do Kemper - que aparece no final da série- algumas similiaridades aparecem já que o Kemper matava por conta dos maus tratos da mãe, e isso tudo girava em torno disso. Temos também similiaridade com Dahmer, que tirava carne das vítimas e ficava com alguns cadáveres.
A série pode parecer lenta no começo, mas ela vale a pena. O paralelo dos filmes inspirados nele te faz refletir, o que se fez do gênero como esse? O diretor de Psicose estava errado em criar isso? Depois que você continua, a série acaba se desenvolvendo um pouco mais, e Ed acaba sendo internado em um hospital psiquiatrico onde permanece até sua morte.
Temos referências a Mindhunter no episódio final, e isso me deixou empolgada já que os dois agentes entrevistam Gein como na série, e também aparecem outros atores e assassinos como Jerry Brudos ( dos sapatos) aliás o mesmo ator interpreta ele aqui, temos também Kemper, Richard Speck ( que assassinou várias enfermeiras em uma noite e neste episódio é retratado de uma forma diferente do que em Mindhunter o que me surpreendeu), temos também é claro Ted Bundy mencionado e todos eles com uma certa fascinação e declínio com relação ao Ed, o reverenciando e o usando como inspiração. Algumas coisas aqui, foram ficticias, já que o Ed nunca ajudou a capturar o Bundy e as outras coisas provavelmente foram colocadas para firmar a ideia de influência sobre outros do mesmo jeito dele.
Ed, por fim, pra mim parecia que só queria entender quem ele era. E morreu sem conseguir isso. Ele devia sim pagar por seus crimes, e novamente ele não deve ser absolvido de nada, mas é muito reflexivo ver como as coisas acontecem dentro da perspectiva de uma pessoa como ele , e de como algumas coisas em sua vida ultrapassam o limite da realidade e fantasia.
Certamente as pessoas queriam uma série mais pesada com crimes mais brutais, e com foco totalmente nos crimes como em Dahmer, mas aqui temos uma reflexão digna de como ele foi fundamental em vários elementos. Inclusive, no final, uma enfermeira disse que era pro Ed escrever um livro e contar sua história verdadeira. E ele diz que já contaram a história dele tantas vezes, de formas diferentes e com coisas sem saber que ele nem precisava e nem queria.
Mais um ponto pra se pensar, somos nós que incentivamos indiretamente isso, consumindo esses conteúdos ou são as pessoas que usam desse conteúdo? Esse conteúdo nos diz algo sobre nós? O Ed teve sua história distorcida e inspirada pra entretenimento e até onde se vai em nome disso? Fica a reflexão.
Pra mim, Ed Gein foi uma boa temporada com atuações ótimas do Ed e sua mãe, e com paralelos muito distintos que se não forem totalmente compreendidos vão parecer tediosos, mas de geral é uma daquelas séries muito legais pra quem gosta do gênero e em saber que ele acabou sendo o pontapé pra vários horrores depois disso. Pra quem não lembra ele foi citado em Dahmer. Assistam, e vão até o final. Vale a pena refletir e entrar na perspectiva dele mesmo que nem tudo ali seja real.
Série: Quem Matou Sara? ( Temporadas 1, 2 e 3)
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Eu já tinha assistido essa série tem um tempo, mas quando comecei a assisti-la a mesma só tinha 1 temporada. Como ela acabou sendo renovada para mais 2 temporadas pensei em esperar até finalizar para vir contar minha opinião pra vocês. E cá está. Nessa postagem vamos fazer uma síntese de cada temporada com seus pontos altos e baixos, então já logo aviso que daqui em diante podem haver spoilers, então se você não assistiu ainda a série e não quer saber o que acontece sugiro que volte depois. Antes de falar de cada uma das temporadas, vamos resumir a sinopse?
Temporada 1
A temporada 1 começa de uma forma muita bacana. Quem matou Sara definitivamente tem pontos muito bons e prende o telespectador diante do mistério do título enquanto Alex coloca sua vingança em andamento e vai desenterrando segredos. O modo de se desenrolar da série usa de artifícios bem parecidos de séries e filmes com as mesmas características sempre redirecionando o foco para um personagem que parece ter motivação para matar Sara e depois mudando esse foco.
A série também alterna em muitos momentos com flashes da época quando Alex era jovem e eles eram amigos. Sendo assim, a série sabe soltar os elementos certos no momento certo fazendo com que o enredo funcione muito bem e se saia incrivelmente envolvente com os personagens muito concisos e vários aspectos dentre eles incluindo não somente o mistério da Sara como os demais segredos revelados. E vocês não vão acreditar no tanto de coisa que é entrelaçada nessa série só na primeira temporada. A temporada termina prometendo revelar quem realmente matou Sara, mas a verdade vai muito além do que a gente pensa.
Temporada 2
Na temporada 2, o ritmo não decai mas mais alguns segredos são revelados sendo assim as coisas parecem cada vez mais complicadas e loucas. Parece que Sara não era tão inocente assim e suas atitudes influenciavam e ameaçavam muitas pessoas a sua volta. Um segredo da mesma é revelado que leva a outros mistérios envolvidos com ela que fazem Alex pensar se realmente conhecia a irmã. Mais mortes vão acontecendo e a teia de mentiras e complicações vai somente aumentando. Conforme vamos descobrindo o que aconteceu desde a queda de Sara do paraquedas, percebemos que foi uma sequencia de atos que a matou já que a mesma estava grávida e não era da pessoa que todos pensavam.
Alguns segredos como por exemplo do pai do Rodolfo chegam a ser nojentos. Pra resumir, o cara não tinha um pingo de vergonha na cara e pegava a esposa do filho, a namorada do filho e quem mais desse na telha. Além de comandar um cassino que explorava mulheres sexualmente. É. eu falei que tinha spoiler. A segunda temporada consegue se manter bem estendendo o mistério principal da primeira sem tirar o envolvimento principal que faz com que tenhamos vontade de descobrir o que realmente houve. A segunda temporada termina com um desfecho e vamos para a terceira e última.
Temporada 3
Eu queria muito dizer que a série termina bem em todas as suas temporadas mas não é realmente isso que acontece. Aqui, realmente, a produção de enredo perde a mão. Talvez alguns aspectos pequenos se modificados poderiam tornar essa última temporada melhor, mas o que realmente me incomodou foi usarem a mesma atriz pra fazer a filha da Sara. A MESMA ATRIZ. Gente, eu juro que pensei por um momento até que ela estava viva, mas colocar a mesma atriz com uma peruca com franja e dizer que ela é filha dela não faz nenhum sentido. E foi esse detalhe que fez a terceira temporada cair muito no conceito. Por que não colocar uma atriz que lembrasse a mesma? Ou até contornar e fingir que Sara estava viva buscando vingança? Mas do modo que a filha de Sara foi inserida e criada em uma clinica psiquiatrica que usa de metodos abusivos para curar certos comportamentos que os mesmos consideram doenças é meio bizarro. Ai a coisa começou a perder a mão.
Já não tinha mais suspense envolvido apesar da nova premissa sobre Sara não ser tão boazinha e tudo começou a se perder. Ela ser seguida, internada na clínica , ter a criança e se matar para não ser cobaia fizeram com que a qualidade da temporada decaísse. Não se alinhava com o ritmos e características apresentadas nas primeiras temporadas. A série termina com um desfecho bem fraco, uma filha que nem convence que é uma filha porque pra mim parece a Sara com uma peruca ( o que não deixa de ser verdade). Elementos fracos e mal aproveitados que dão um desfecho pra uma série que poderia ter começado e terminado bem, mas se encerra de uma forma preguiçosa e chata com elementos que não fazem muito sentido pra ninguém.
De forma geral, Quem matou sara funciona e vai te entreter por alguns dias com mortes, segredos, ameaças e uma trama no geral muito bem construída. Recomendo.
Série: Teto para Dois ( Original Paramount Plus)
Seriado: Control Z ( Temporadas 1, 2 e 3)





































