Mais uma vez fiz o papel de trouxa

Ele: Você é complicada. Complica demais as coisas.
Ela: Sério? Então você acha que eu sou complicada enquanto eu repito que você é complicado? Não acha que tem algo errado ai?
Ele: Pode ser.
Ela: Só quero algo verdadeiro.
Ele: Não devia agir assim.
Ela: Assim como?
Ele: Criando expectativas, esperando demais das pessoas.
Ela: E o que eu devo esperar? Nada? Me contentar com migalhas?
Ele: Não foi isso que eu disse.
Ela: Então a culpa deve ser minha.
Ele: Não é isso. Você só tem que parar de distorcer cada coisa que digo.
Ela: Você devia escolher melhor suas palavras.
Ele: Estou escolhendo, mas por algum motivo você não consegue enxergar como eu vejo as coisas.
Ela: Pra você, nada te afeta.
Ele: Errado. Eu só não crio expectativas, não espero muito de ninguém.
Ela: Não se envolve?
Ele: Não é questão de envolver. Quando se joga de cabeça, e deixa suas expectativas tomarem conta, uma falha pode parecer maior do que é.
Ela: Não é fácil como parece. Você não consegue compreender.
Ele: Mas eu tento, eu quero compreender.
Ela: Quer mesmo? Tudo que presenciei até agora foi você virando as costas quando mais precisei.
Ele: Não foi desse jeito.
Ela: E foi como? Me diz.
Ele: Eu não sei explicar.
Ela: Deveria ser simples, se você me compreendesse seria tão mais simples.
Ele: Todo mundo tem problemas, você sabe disso.
Ela: Ah sim. O clássico " tem gente pior que você".



Ele: Não deve se deixar afetar tanto.
Ela: Não tem como evitar.
Ele: Claro que tem.
Ela: Você tinha tudo nas mãos sabia disso não?
Ele: Tudo o que?
Ela: Eu te entreguei tudo de bandeja. Você poderia ter evitado as coisas até esse ponto.
Ele: Eu posso ter errado, mas você não entende.
Ela: Você vai me dizer que a culpa é minha? Que você não fez nada de errado?
Ele: Não. Eu sei que dei muita mancada.
Ela: E não soube nem reconhecer isso.
Ele: Só não vejo o motivo de você ficar batendo na mesma tecla.
Ela: Uma palavra sua, uma única ação poderia ter mudado tudo.
Ele: Como assim??
Ela: Nada do que eu falei até agora te fez entender. Por que agora iria?
Ele: Não posso te dar o que quer.
Ela: E o que você acha que eu quero?
Ele: Algo que eu não posso oferecer. 
Ela: Você nem ao menos sabe o que quero de você. Você só imagina e tira suas conclusões.
Ele: Não é assim.
Ela: Poderiamos estar bem agora, mas estamos nessa situação. Eu poderia te contar tudo, abrir meu coração, mas nem isso você me deixou fazer.
Ele:  Se é tão simples estou disposto a te ouvir.
Ela: Sei que esse dia não vai chegar.
Ele: Vai chegar, você vai ver.

Ele foi embora, deu as costas sem olhar pra trás. Sem ao menos perguntar como eu estava sem se importar com as dores ou as lágrimas. O dia não chegou. A conversa nunca aconteceu. E mais uma vez as palavras ficaram no ar. Mais uma vez o que você disse perdeu o valor. Não teve significado.Mais uma vez eu interpretei o papel de idiota.

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