Uma conversa entre a mente e o coração

Mente: Precisamos ter uma conversa séria.
Coração: Já sei o que você vai falar. Você repete isso toda hora.
Mente: E adianta alguma coisa? Voltamos pro mesmo caminho.
Coração: É bom sentir as coisas.
Mente: Concordo. Mas quando se pode evitar é idiotice.
Coração: Idiotice é não tentar.
Mente: Você não acha que a menina já sofreu demais? Se você não se envolvesse tanto talvez ela não precisasse sentir tanta dor.
Coração: Os momentos precisam ser sentidos. Vivenciados como se fosse os últimos, mesmo que depois não dê certo.
Mente: Não dá pra argumentar com você. Está ai, cheio de cicatrizes enquanto toda vez que vem um idiota tentar conquistar ela você se deixa levar fácil.
Coração: Não é bem sim.
Mente: É sim. Dá um jeito nisso. Crie mais barreiras protetoras, fique longe até ter certeza. Faça o que puder mas não a faça derrubar mais lágrimas.
Coração: Há pessoas que penetram qualquer barreira que eu coloque. Não sou eu que causo as lágrimas.



Mente: Se não é você, quem é? É você que está esmagado dentro do peito dela causando dor.
Coração: Esqueceu seu papel nisso?
Mente: E qual é?
Coração: Sou eu que me envolvo, que absorvo os sentimentos mas é você que a ajuda a decidir. É você que guarda as lembranças e as faz voltar nos momentos importunos.
Mente: É minha função ajudá-la a tomar a melhor decisão, mas não posso apagar o que ela vivenciou.
Coração: Exatamente. Não dá pra ser totalmente racional nessa conversa, e nem totalmente emocional. Precisamos pensar de um modo igual. Se não houvessem as cicatrizes, e as lágrimas no travesseiro como ela entenderia?
Mente: Eu tentei avisar várias vezes.
Coração: E eu não ouvi, e nem ela ouviu. Porque nós dois queríamos dar uma chance. Queríamos uma chance de poder acreditar que ia dar certo.
Mente: Mas não deu.
Coração: Não, não deu. Tudo que me dá força é a esperança de que ela vá encontrar alguém que cuide dessas cicatrizes e entenda tudo que ela já passou.
Mente: Eu duvido disso.
Coração: Ai que você está errada. A esperança é a única coisa que resta. Se ainda tiver um motivo pra acreditar, vai dar certo.

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