Um inverno sem fim

Estou presa em algum tipo de encantamento. Só fica cada vez mais frio e eu não sei como conter mais esse medo que se apavora dentro de mim. Eu olho pela janela e vejo os flocos de neve caindo por todo o lado. Fechos os olhos porque não posso ver, não quero ver. Tenho que continuar sendo a boa menina que sempre fui, me conter e não ceder. Não deixar que vejam todo esse medo tomando conta. Aos meus olhos, o que eu faço é mágico. Tão mágico a ponto de encantar muitas pessoas. Piso sobre a neve branca e deixo as minhas pegadas para trás. Estou embaixo, mas sinto como se tivesse no topo de uma montanha. Um reino de isolamento que construí em torno de mim mesma. Algum tipo de dor que as pessoas não podem entender. 





O vento fica cada vez mais forte ao meu redor, só passa cruzar os braços em torno de mim e tentar me aquecer. Tentar entender porque. Não estou sozinha, mas me sinto solitária. Parece que minha pior inimiga sou eu mesma. Vejo trovões fortes se formando, uma tempestade está por vir e estou rodopiando. Não consigo segurar, não posso mais conter o que sou. Vou deixar fluir, deixar ir. Preciso soltar tudo de dentro de mim, ser quem sou. Talvez em algum lugar que ninguém entenda, que ninguém veja. Preciso tentar e arriscar. Ser e não ter mais medo de ser machucada ou machucar alguém. Ninguém verá, ninguém saberá. Vou esconder o que senti não posso me dar ao luxo de me machucar ainda mais. Dou as costas e corro o mais longe que posso, sinto o vento congelando minha pele, sinto o frio querendo me fazer desistir mas o frio nunca me incomodou de verdade. O que me incomoda é essa dor que deixou meu coração congelado. Não quero levar ninguém para esse frio gélido comigo.  Quero me descobrir aqui, sei que pertenço a esse lugar, quero me entender melhor. Abro a porta e me fecho no meu próprio tipo de solidão. 


Um pouco de distâncio torna tudo menos doloroso, e menor. Sou a rainha desse frio, desse medo. Aqui posso finalmente tentar controlar esses medos que acham que podem me dominar. Não posso conter, tenho que deixar ir. Tenho que tentar ser alguém que eu goste de ser. Bem aqui, no meio dessa neve congelada é a primeira vez que consigo finalmente respirar. Deixei coisas para trás, sem nem perceber direito o que estava deixando. Mas estou em paz para poder me lamentar, não vou chorar. Não vou deixar que nada me faça mais refém de mim mesma. Uma vida em que sou quem sou foi a que a escolhi. Não tente me encontrar, só me deixe ver que essa neve pode derreter. Que posso ter frio novamente. Que posso sentir todas as emoções aquecendo meu coração gelado. Que posso ser eu mesma. Deixo você vir, então acabe com esse inverno congelante o mais rápido que puder. Venha e me liberte.

Inspirado na princesa " Elsa" do filme " Frozen" da Disney 


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