Eu me silenciei por muito tempo. E quando se silencia por muito tempo uma hora você se esgota. E ai, tudo transborda e não de uma forma bonita. As idas ao hospital achando que você vai morrer não são nada legais. Os olhares de julgamento não são legais iguais. E os remédios? Menos ainda. Quando olho para minha cartela, ainda não acredito que estou dependente de remédios. Dependente de comprimidos pra dormir. Pra me sentir normal. Pro aperto no peito passar pelo menos naquele dia sem saber se no dia seguinte eu vou sentir algo de novo e ai tomar mais um comprimido. E o ciclo repetitivo nunca acaba. Isso nunca tem fim. Não tem cura. Não tem saída.
Então, eu choro e choro. E choro mais. E as lágrimas que escorrem são uma esperança de aliviar a dor e o vazio que eu sinto dentro de mim. É, eu não preciso de ninguém pra me destruir. Eu já faço isso sozinha. Todas as pessoas que falaram algo de mim, ou viram como é fácil me machucar já fizeram isso por mim. Já estragaram partes que eu nem sei se vou recuperar. E estou colhendo tudo que me fizeram.
Eu me deixei afetar. Eu deixei que eles fizessem isso comigo. Eu acreditei nisso e agora minha mente não me deixa acreditar em outra coisa que não seja que nada do que eu faço é bom o suficiente. E queria muito acreditar que eu pudesse reprogramar minha mente pra algo totalmente diferente.
Meu corpo grita. Pede por socorro. Berra. Sangra. Dói. Só não sei quem realmente está ouvindo e quanto tempo mais eu aguento.


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